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Ainda bem que editaram o filme do Tim Maia!

07/01/2015

O bafafá criado com a tentativa da Rede Globo de criar através do filme Tim Maia um novo documentário, com novos depoimentos e muitas cenas cortadas, abriu os olhos dos brasileiros para algo que todo e qualquer crítico de música e cultura esperava há muito tempo. Muito além das interpretações de como o canal de TV protegeu Roberto Carlos, ofendeu Tim Maia ou mesmo descaracterizou um dos melhores filmes nacionais de 2014, está a crítica vinda depois por uma sociedade que se acostumou a nos últimos anos a enfiar qualquer tipo de lixo no ouvido e tornar aquilo a verdadeira cultura de sua época.

Antes do filme Tim Maia, mas principalmente antes do documentário da Rede Globo, ouvir Roberto Carlos e o Soul Music de Sebastião Rodrigues Maia era, para a maioria dos brasileiros, “coisa de gente velha”, “gente que parou no tempo”, que pode até entender de música, mas que não compreende que a sociedade mudou e tem muita cultura impressa no funk carioca e no sertanejo universitário.

tim maia

Tim Maia estreou o no cinema antes de virar um documentário na Globo

Não serei um cético de afirmar com cem por cento de certeza de que funk carioca e sertanejo universitário não tem nada de cultural. Muito pelo contrário, afirmo sem medo de errar que a música favorita de boa parte das pessoas nascidas de 1995 para cá é o espelho (tão claro e lúcido como o de João Nogueira) cultural de uma geração. O que se vê expressado em letras destes dois ritmos é exatamente o que se lê nas pesquisas divulgadas pelos jornais, no Domingão do Faustão e até nas manifestações de julho de 2013.

As feministas ganharam o seu espaço e lutaram muito por isso, mas há músicas que insistem em dizer que a mulher tem que ser passiva ao homem, principalmente quando o assunto é sexo. Existem os que criticam Roberto Carlos por ele ter deixado toda a sua geração de lado. Enquanto Chico Buarque, Caetano Veloso e mesmo Tim Maia cantavam contra a Ditadura, o “Rei do iê-iê-iê” investia em hits como Calhambeque e Estrada de Santos.

Esses mesmos críticos não pararam para reclamar que enquanto pessoas tentavam, de forma enrustida, fazer uma revolução nas ruas, o hino do momento era Ai se eu te pego.

A Rede Globo não sabe ou talvez finja que não percebeu, mas o seu ato de trazer Tim Maia de volta com sua música de “gente velha” fez com que os brasileiros entrassem em 2015 sem a vontade de assistir ao Show da Virada, mas de baixar a discografia do “Rei do Soul” e se sentir, ainda que por um curto espaço de tempo, cult.

“Será que apenas os hermetismos pascoais, os tons, os mil tons, seus sons e seus dons geniais nos salvarão dessas trevas e nada mais”? Caetano já dava a dica em 1984 e Tim Maia, mesmo já tendo ido dessa para uma melhor, conseguiu 30 anos depois deixar o mesmo aviso.

“Ver na vida algum motivo para sonhar, ter um sonho todo azul, azul da cor do mar” (Maia, Tim. Azul da Cor do Mar. 1970).

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One Comment
  1. Amei suas críticas, por que você não posta mais nesse blog? Sério, é muito bom.

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