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A Flor e o Espinho – Nelson Cavaquinho

Intérprete – Nelson Cavaquinho

Compositores – Alcides Caminha, Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho

Ano de divulgação – 1973

Álbum – Nelson Cavaquinho (1973)

letra e música – http://letras.terra.com.br/nelson-cavaquinho/307086/

“Hoje pra você eu sou espinho. Espinho não machuca a flor.”

Com letra de Guilherme de Brito e Alcides Caminha e melodia de Nelson Cavaquinho, A flor e o espinho virou um verdadeiro hino do cancioneiro brasileiro. Composta em 1955, a canção só foi gravada pela primeira vez pelo sambista Raul Moreno em 1957, mas só obteve grande sucesso em 1964, quando Elizeth Cardoso, grande musa da época, gravou a música. Nelson cavaquinho só gravou a canção em 1973, no seu disco homônimo que trazia regravações de suas maiores composições, com destaques para as parcerias com seu grande amigo Guilherme de Brito.

Álbum que traz os grandes sucessos de Nelson Cavaquinho

A letra da canção traz metáforas e muita tristeza, elementos típicos do samba da década de 50. Logo os primeiros versos “Tire esse sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor. Hoje pra você eu sou espinho. Espinho não machuca a flor”, já identificam  a canção como um samba bem escrito e com uma mensagem a ser deixada.

Ouvida até hoje, A flor e o espinho está entre os 100 maiores sambas de todos os tempos e talvez seja a melhor obra da brilhante parceria de Nelson Cavaquinho com Guilherme de Brito.

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Retalhos de Cetim – Benito di Paula

Intérprete – Benito di Paula

Compositor – Benito di Paula

Ano de divulgação – 1973

Álbum – Benito di Paula (1973)

letra e música – http://letras.terra.com.br/benito-di-paula/44499/

“Não pensei que mentia, a cabrocha que eu tanto amei”

Sambista fluminense de Nova Friburgo, Benito di Paula precisou vir para São Paulo para “estourar”. Em uma época que o samba era movido pela malandragem, Benito propôs um romantismo maior no samba, retomando o que era tocado nas década de 50. O que futuramente ficaria conhecido como samba-jóia, foi rejeitado na época e só ganhou status após o sucesso de Retalhos de Cetim.

Com a canção, o compositor conseguiu um contrato com a gravadora Copacabana, uma das principais da época. Mesmo assim, a canção só aparece no segundo disco do cantor com a gravadora, o disco homônimo que ficou conhecido mundialmente.

Benito di Paula (1973)

Retalhos de Cetim conta a história de um sambista que ensaia um samba, compra fantasias e fantasias para uma cabrocha que jurou desfilar para ele, mas que não cumpriu a promessa. O sambista, melancólico, fica muito triste e desabafa. O refrão ficou muito conhecido e é cantado por todo o público nos shows de Benito.

Um samba melancólico, romântico e tocado brilhantemente no piano. Assim é o samba-joia de um sambista de primeira chamado Benito di Paula.

Quem sabe isso quer dizer amor – Milton Nascimento

Intérprete – Milton Nascimento

Compositores – Lô Borges e Márcio Borges

Ano de divulgação – 2002

Álbum – Pietá

letra e música – http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/70280/

“Quem sabe isso quer dizer amor, estrada de fazer o sonho acontecer”

O disco Pietá foi um marco na vida artística de Milton Nascimento. Foi com este disco que o brilhante cantor e compositor entrou de vez no terceiro milênio e não ficou para trás, como muitos medalhões da MPB. A canção Quem sabe isso quer dizer amor, composta por seus amigos de Clube da Esquina, Lô Borges e Márcio Borges, se consolidou como a principal canção de um disco que trouxe grandes novos sucessos.

O tema, como o próprio nome da canção sugere, é tentar explicar o que é o amor. Como, através de atos e sentimentos é possível amar e se sentir amado. “Falara da cor dos temporais, de céu azul, das flores de abril. Pensar além do bem e do mal, lembrar de coisas que ninguém viu” são coisas que só fazemos quando sentimos amor.

Disco que trouxe Milton Nascimento de volta às rádios

Quem sabe isso quer dizer amor entrou no hall de sucessos de Milton Nascimento e já é, para muitos críticos, uma das 20 melhores canções de Milton. A melodia suave e a letra precisa e bem escrita tornaram essa música uma verdadeira obra de arte na belíssima voz de Milton Nascimento.

Milton Nascimento é um cantor dos anos 60, mas Quem sabe o que é dizer amor prova que ele ainda está vivo artisticamente e ainda é um excelente cantor.

Ponto de Interrogação – Gonzaguinha

Intérprete – Gonzaguinha

Compositor – Gonzaguinha

Ano de divulgação – 1980

Álbum – De volta ao começo

letra e música http://letras.terra.com.br/gonzaguinha/46285/

“Por acaso algum dia você se importou em saber se ela tinha vontade ou não?”

A relação de um homem com uma mulher vai muito além do sexo, mas muitas vezes os homens só buscam o prazer, sem se importarem com os sentimentos de sua companheira, que, na maioria das vezes também está interessada em ser amada e em também sentir prazer. Ponto de interrogação é uma canção que expressa perguntas que um homem só faz a si mesmo quando está magoado, sofrendo a perda de um amor verdadeiro, “são perguntas tão tolas de uma pessoa, não ligue, não ouça, são pontos de interrogação”  

De volta ao começo, um dos melhores discos de Gonzaguinha

Por ser ritmada e tocada em um estilo de bolero, a canção consegue ser profunda e melancólica. O desabafo de Gonzaguinha é passado de uma forma concisa, fazendo com que os homens que ouvem olhem pra dentro de si e passem a enxergar o sexo de uma outra maneira. Será que a mulher também está interessada em transar? Será que o sexo feito unicamente para a busca de prazer de apenas uma pessoa não se torna um vício de obrigação?

Pois com a outra você faz de tudo, lembrando daquela tão santa, que é dona do seu coração”. Aqui, Gonzaguinha começa a questionar um lado da traição que passa despercebido muitas vezes. Por mais que se traia, o coração que continua amando e te questiona sobre o porquê de não fazer as mesmas coisas com quem realmente merece.

Cachimbo da Paz – Gabriel O Pensador

Intérprete – Gabriel O Pensador

Compositores – Gabriel O Pensador, Bollado Emecê e Memê

Ano de divulgação – 1997

Álbum – Quebra – Cabeça

letra e música – http://letras.terra.com.br/gabriel-pensador/46096/

“Com tantas drogas por que só o seu cachimbo é proibido?”

Muitos podem dizer que “Cachimbo da paz” é um hino em defesa da maconha, entretanto a canção composta para o segundo álbum de grande sucesso de Gabriel O Pensador quer na verdade mostrar que a violência e uso de drogas chegaram a um ponto muito maior do que o uso da maconha. Hoje, morrem pessoas vítimas do álcool e do cigarro, drogas legais, mas que, assim como a maconha, geram violência.

A intenção de Gabriel O Pensador não é legalizar a maconha, mas abrir a cabeça das pessoas de que não é apenas ela a culpada dos crimes no país. Além disso, o tráfico também aparece na letra da canção: “E o cachimbo do índio continua proibido, mas se você quer comprar é mais fácil que pão. Hoje em dia ele é vendido pelos mesmos bandidos que mataram o velho índio na prisão”.

Primeiro álbum de Gabriel O Pensador a fazer impacto no público

Gabriel O Pensador nunca foi pobre, mas achou no rap, ritmo típico das classes mais baixas,  um modo de expressar seus sentimentos, suas ideias e suas críticas. Cachimbo da paz é apenas um exemplo da inteligente obra do rapper.

Chão de giz – Zé Ramalho

Intérprete – Zé Ramalho

Compositor – Zé Ramalho

Ano de divulgação – 1978

Álbum – Zé Ramalho

letra e música – http://letras.terra.com.br/ze-ramalho/49364/

“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro”  

Primeiro álbum de Zé Ramalho. Entre outras preciosidades, destaca-se Chão de giz

Muita gente sabe que Chão de giz é uma das principais canções de Zé ramalho. Muita gente admira a canção e sempre a canta quando a ouve no rádio ou no barzinho, mas poucas pessoas entendem ou sabe o significado da letra tão complexa. Chão de giz é realmente espetacular, mas principalmente por contar uma história verídica que aconteceu com Zé Ramalho na sua juventude.

Ainda jovem, o compositor teve um caso duradouro com uma mulher bem mais velha que ele, casada com uma pessoa bem influente da sociedade de João Pessoa, na Paraíba, onde ele morava. Ambos se conheceram no carnaval. Zé Ramalho ficou perdidamente apaixonado por esta mulher, que jamais abandonaria um casamento para ficar com um “garoto pé -rapado” que ela apenas “usava”.

Assim, o caso que tomava proporções enormes foi terminado. Zé Ramalho ficou arrasado por meses, mudou de casa, pois morava perto da mulher e, nesse meio tempo, compôs Chão de giz.

Sabendo deste pequeno resumo da história, fica mais fácil interpretar cada verso da canção.

“Eu desço desta solidão e espalho coisas sobre um chão de giz” (Um de seus hábitos, no sofrimento, era espalhar pelo chão todas as coisas que lembravam o caso dos dois. O chão de giz indica como o relacionamento era fugaz).

“Há meros devaneios tolos, a me torturar” (Devaneios e lembranças da mulher torturando ele)

“Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúdes” ( Outro hábito de Zé Ramalho era recortar e admirar TODAS as fotos dela que saiam nos jornais – lembrem-se, ela era da alta sociedade, sempre estava nas colunas sociais)

“Eu vou te jogar num pano de guardar confetes” ( Pano de guardar confetes são balaios ou sacos típicos das costureiras do Nordeste, nos quais elas jogam restos de pano, papel, etc. Aqui, Zé diz que vai jogar as fotos dela nesse tipo de saco e, assim, esquecer as fotos para sempre) .

“Disparo balas de canhão, é inútil, pois existe um grão-vizir” ( Ele tenta ficar com elas de todas as formas, mas é inútil, pois ela é casada com um homem muito rico).

“Há tantas violetas velhas sem um colibri” ( Aqui ele utiliza de uma metáfora. Há tantas violetas velhas (Como ela, bela, mas velha) sem um colibri (um jovem que a admire), dessa forma ele tenta novamente convencê-la apelando para a sorte dela – mesmo sendo velha (violeta velha), ela pode, se quiser, ter um colibri (jovem).

“Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de vênus” (Este verso mostra a dualidade do sentimento de Zé Ramalho. Ao mesmo tempo que quer usar uma camisa de força para se afastar dela, ele também quer usar uma camisa de vênus para transar com ela).

Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro” ( Novamente ele invoca a fugacidade d amor dela por ele, que o queria apenas para “gozar o tempo de um cigarro”. Percebe-se o tempo todo que ele sente por ela um profundo amor e tesão, enquanto é correspondido apenas com o tesão, com o gozo que dura o tempo de se fumar um cigarro).

Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom” (Para quê beijá-la, se ela quer apenas o sexo?).

” Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez…” ( Novamente ele resolve ir embora, após constatar que é impossível tentar. Entretanto, apaixonado como está, vai novamente à lona – expressão que significa ir a nocaute no boxe, mas também significa a lona do caminhão, com o qual ele foi embora – ele teve que sair de casa para se livrar desse amo doentio!).

“Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar” (Amor inesquecível, que acorrenta)

“Meus vinte anos de ‘boy’ – that’s over, baby! Freud explica” (Ele era bem mais novo que ela. Ele era um boy, ela era uma dama da sociedade. Freud explica um amor desse (Complexo de Édipo, talvez?)).

“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro” (Ele não se sujar transando mais uma vez com ela, pois agora tem consciência de que nunca passará disso).

“Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval” ( Eles se conheceram em um carnaval. Voltando a falar das fotos dela, que iria jogar em um pano de guardar confetes, ele consolida o fim, dizendo que já passou seu carnaval (fantasia), passou o momento).

“E isso explica porque o sexo é assunto popular” ( Aqui ele faz um arremate do que parece ter sido apenas o que restou do amor dele por ela (ou dela por ele): sexo. Por isso o sexo é tão pular, pois apenas ele é valorizado).

“No mais, estou indo embora” (Assim encerra-se a canção. É a despedida de Zé Ramalho, mostrando que a fuga é o melhor caminho e uma decisão madura).

Toda essa explicação foi dada pelo próprio Zé Ramalho.

O meu guri – Chico Buarque

Intérprete – Chico Buarque

Compositor – Chico Buarque

Ano de divulgação – 1981

Álbum – Almanaque

letra e música – http://letras.terra.com.br/chico-buarque/66513/

“Já foi nascendo com cara de fome. Eu não tinha nem nome pra lhe dar”

Qual o pai que não sonha em dar uma boa vida para seu filho? A canção O meu guri, de Chico Buarque conta, através relato do próprio pai, esta realidade.

A letra da canção mostra que o guri é nascido em uma família pobre, que mora na favela e que apesar do esforço do pai, a esperança de que o filho tivesse um bom futuro era muito pequena, mas o garoto surpreende a todos, principalmente ao pai, que vê que o filho conseguiu ter um futuro realizado, com emprego, dinheiro e boa vida. Apesar de todas estas conquistas, o guri não se esquece de seu pai e da educação que recebeu, trazendo imenso orgulho ao seu progenitor.

Almanaque (1981) – disco que traz “O meu guri”

As referências do passado e do presente são bem destacadas pelo pai. Se antes era o pai que colocava o guri para dormir, agora a situação se inverteu.

A desigualdade social está presente na música, mas o ar de humildade do pai e do guri mostra que, apesar das adversidades, é possível ser feliz e orgulhoso sendo pobre ou rico.