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Será que eu vou virar bolor? – Arnaldo Baptista

Intérprete – Arnaldo Baptista

Compositor – Arnaldo Baptista

Ano de divulgação – 1974

Álbum – Loki?

letra e música – http://letras.terra.com.br/arnaldo-baptista/399803/

O que é isso, meu amor? Será que eu vou virar bolor?

Canção que abre o disco Loki?, o primeiro de Arnaldo Baptista após deixar Os Mutantes, Será que eu vou virar bolor? é fundamental para quem quer compreender a história da música brasileira dos anos 70. Com um piano magistralmente tocado pelo próprio cantor, a melodia e a harmonia da canção lembra músicas de Jerry Lee Lewis e de Little Richard, clássicos dos anos 50. Dessa forma, Arnaldo mostra que a música do passado tinha muita qualidade e não deveria ser esquecida, como ele parece temer, ainda nos anos 70.

A letra da canção alerta para a mesma causa – “não gosto do Alice Cooper, onde é que está meu rock’n roll? (…) será que eu vou virar bolor?” – Arnaldo está preocupado com o esquecimento de boas canções dos anos 50 e 60 e o surgimento de coisas novas, caracterizando o rock nacional dos anos 70, um rock que parecia estar acabando e que só voltou com força para as rádios nos anos 80.

Outra preocupação presente na letra é a da realização dos sonhos. A década de 60 foi a década da geração sonhadora, que via grandes transformações não só no Brasil, mas em todo o mundo, Arnaldo, agora no início dos anos 70, cobra a realização de seus sonhos – “venho me apegando aos meus sonhos e à minha velha motocicleta, não gosto do pessoal da NASA, cadê meu disco voador?”.  

Loki? O polêmico e genial disco de Arnaldo Baptista

Muitos dizem que o disco Loki?,  assim como as composições presentes nele, foram feitas após um ataque nervoso do Arnaldo Baptista. Boato ou não, Arnaldo fez uma obra -prima e conseguiu fazer o que mais queria na época, ou seja, dizer que não era apenas um músico e compositor do Os Mutantes, mas também um grande contestador.

Podres Poderes – Caetano Veloso

Intérprete – Caetano Veloso

Compositor – Caetano Veloso

Ano de divulgação – 1984

Álbum – Velô

letra e música – http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/44764/

“Será que esta minha estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?”

Podres Poderes traz um Caetano Veloso revoltado, irado com os erros e as faltas de revolta do povo. Na letra, Caetano cita os ditadores da América Católica, os burgueses, os paisanos, os capatazes e outras classes que estão preocupadas somente no bem próprio, fazendo os outros sofrerem, gestos que Caetano chama de ridículos, boçais e burros.

Caetano diz que gostaria de poder confiar e compartilhar com essas classes, mas é impossível, “tudo é muito mau”.

Velô, de 1984

Um fato inusitado e interessante da letra é quando Caetano questiona se apenas os “hermentinos pascoais, os tons e os mil tons, com seus sons geniais” poderão nos salvar. Nesse trecho fica implícito que apenas a música brasileira (como a de Hermeto Pascoal, Tom Jobim e Milton Nascimento) está salvando todos.

Podres Poderes faz o ouvinte pensar em tudo o que acontece de errado no mundo, principalmente no nosso país e questionar se não há ninguém para fazer as coisas mudarem.

Álbum Ave Noturna – Fágner

Artista – Fágner

Ano de lançamento – 1975

Gravadora – Continental

Principais canções – Fracassos,  O Astro Vagabundo e Última Mentira

Lançado em 1975, o segundo disco de Fágner recebeu ótimas críticas na época. Contando com canções românticas e canções mais regionais, Ave Noturna é até hoje o melhor disco do cantor e compositor cearense.

O disco se caracterizou por trazer obras totalmente diferentes do primeiro disco Manera fru-fru, manera. A intenção de Fágner era cantar estilos que mais lhe agradavam e assim, agradar também seu público. Conseguiu. O sucesso do álbum fez com que Fágner entrasse de vez para o cenário musical da época. A canção Beco dos baleiros foi trilha sonora da novela Ovelha negra, transmitida em 1975 pela Tv Tupi.

A força na voz de Fágner permeia por todas as canções do álbum, o que traz para o ouvinte o sotaque gostoso e cativante, característico do cantor.

O disco conta com composições do próprio Raimundo Fágner, do cineasta Cacá Diegues, do parceiro de Fágner, Fausto Nillo, do rei do baião, Luiz Gonzaga,  de Belchior, além de outros.

Ave Noturna , segundo LP de Fágner (1975)

Canções

Lado A

1. Fracassos (Raimundo Fágner)

2. A palo seco (Belchior)

3. O astro vagabundo (Raimundo Fágner e Fausto Nillo)

4. Beco dos baleiros (Papéis de chocolate) (Petrúcio Maia e Brandão)

5. Riacho do Navio (Zé Dantas e Luiz Gonzaga)

Lado B

1. Estrada de Santana (Petrúcio Maia e Brandão)

2. Última Mentira (Raimundo Fágner e Capinan)

3. Retrato Marrom ( Rodger Rogério e Fausto Nillo)

4. Ave Noturna (Raimundo Fágner e Cacá Diegues)

5. Antonio Conselheiro (Bumba meu boi) (adap. Raimundo Fágner)

Conversa de botas batidas – Los Hermanos

Intérprete – Los Hermanos

Compositor – Marcelo Camelo

Ano de divulgação – 2003

Álbum – Ventura

letra e música – http://letras.terra.com.br/los-hermanos/67554/

“É só lembrar que o amor é tão maior”

A banda Los Hermanos é conhecida por tocar músicas que falam de amor, emoções, momentos e pensamentos através de melodias suaves, com base nos teclados e nos metais. Conversa de botas batidas é mais uma dessas músicas.

3º álbum da banda Los Hermanos

A letra fala sobre uma história que Marcelo Camelo, o compositor e cantor da canção, leu em uma reportagem no jornal. Segundo o próprio Camelo, a reportagem fala sobre um casal de idosos que havia marcado um encontro amoroso depois de muito tempo sem se verem. O hotel em que eles se hospedaram veio a desabar. Na tentativa de salvar o maior número de hóspedes, um funcionário do hotel foi de quarto em quarto batendo nas portas, para que os hóspedes saíssem rapidamente, entretanto, ao bater no quarto do casal, a porta não foi aberta e ninguém respondeu. Não se sabe se eles não quiseram abrir para manter a intimidade, para fugirem do flagrante ou se estavam fugindo. Camelo deu uma nova hipótese para a negação ao alarme do funcionário. Conversa de botas batidas é um diálogo do casal que se ama, que sabe que o fim está chegando e tudo o que querem é curtir cada minuto que lhes restam. Eles só queriam o amor e nada, nem mesmo a queda de um hotel, atrapalharia o casal.

Com a explicação a letra torna-se fantástica. Uma visão romântica e totalmente pertinente para a história. Camelo fez com que uma tragédia virasse uma linda história de amor, lembrando as grandes tragédias shakespearianas, nas quais o final é triste, mas muito bonito e romântico.

Não quero dinheiro (Eu só quero amar) – Tim Maia

Intérprete – Tim Maia

Compositor – Tim Maia

Ano de divulgação – 1971

Álbum – Tim Maia (1971)

letra e música – http://letras.terra.com.br/tim-maia/48928/

“Quando a gente ama, não pensa em dinheiro, só se quer amar.”

Conhecido como o rei nacional do soul, Tim Maia ficou marcado pela sua voz forte e pela sua irreverência. Morreu jovem, aos 55 anos após crises por uso de drogas lícitas e ílicitas, mas ninguém pode dizer que ele não morreu feliz.

A carreira de Tim Maia foi sempre muito difícil, demorou para embalar sucessos e só gravou seu primeiro grande disco no ano de 1970. Depois disso, a música brasileira teve de se render ao talento do cantor, que sempre teve opiniões contraditórias e carregou fãs por todos os cantos do país.   

Não quero dinheiro (Eu só quero amar) é uma das canções mais famosas do “síndico” da música brasileira. A canção diz que o importante é o amor e nunca o dinheiro, ao contrário do que muitos dizem. Para Tim Maia, “o dinheiro é capaz de comprar muitas coisas, como bebidas, comidas e até amizades, mas o amor verdadeiro ele não compra”. Foi assim que o compositor e cantor levou a sua vida. Com muito amor.

Não quero dinheiro (Eu só quero amar) é um hino do movimento disco no Brasil e é cantada e tocada até hoje nas boates e bares dançantes.

Primeiros Erros – Kiko Zambianchi

Intérprete – Kiko Zambianchi

Compositor – Kiko Zambianchi

Ano de divulgação – 1985

Álbum – Choque

letra e música – http://letras.terra.com.br/kiko-zambianchi/46827/

“Meu destino não é de ninguém, eu não deixo os meus passos no chão”

Apesar de ter ficado mais conhecida em 2000, quando a banda Capital Inicial gravou a canção, Primeiros Erros já havia feito sucesso na década de 80. O compositor e cantor Kiko Zambianchi lançava seu primeiro CD, que só conseguiu emplacar graças a Primeiros Erros. Kiko nunca foi um grande nome do rock nacional, mas esta canção é conhecida e cantada por muitas pessoas que gostam de um bom rock.

Primeiro álbum de Kiko Zambianchi

A letra fala de uma pessoa que errou muito no passado e agora vê que esses erros não podem mais ser evitados. A chuva e o sol são as metáforas bem utilizadas para falar dos erros e acertos. Por mais que essa pessoa tente voltar ao passado (o que é impossível) e ser sol (acertos), irá chover (erros).

A história da música é uma lição de que não podemos voltar ao passado, por isso temos que procurar acertar sempre, para que as consequências não venham no futuro.


Álbum Clube da esquina – Milton Nascimento e Lô Borges

Artistas – Milton Nascimento, Lô Borges e outras participações especiais

Ano de lançamento- 1972

Gravadora – EMI

Principais canções – Tudo o que você podia ser, O trem azul, Nada será como antes e Paisagem na janela

Lançado no começo da década de 1970, o álbum Clube da esquina trouxe uma miscelânea de sons jamais ouvida na música brasileira. Influenciados pela música dos The Beatles, pelo jazz, folclore mineiro e harmonias pop, Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges, Tavinho Moura, Beto Guedes, Fernando Brant e Flávio Venturini faziam uma música de grandes misturas, levada sempre pelo violão. O nome Clube da Esquina foi dado por Márcio, para celebrar as rodas de música que eles faziam nas esquinas das cidades mineiras.

Milton Nascimento já havia brilhado em 1970, após sua grande interpretação da música Travessia no Festival Internacional da Canção daquele ano. Mesmo assim, a gravadora permitiu que seu próximo disco fosse gravado com seus parceiros em um estilo um pouco diferente do apresentado dois anos antes. Começava assim a gravação do que seria um dos maiores álbuns da história da música brasileira.

A capa do disco traz dois meninos sentados. Um branco e um negro, retratando a parceria entre Lô Borges e milton Nascimento.

O segredo do Clube da esquina é o arranjo. Mesmo tendo o violão como base, as canções trazem arranjos feitos com muita percussão e vários conjuntos de cordas, trazendo a variedade de sons no mesmo tempo.

O disco traz 21 canções, um número grande para a época, mas o fato de cada canção ter a “sua cara” torna o disco incontínuo e fantástico. A variação de vozes presentes em cada canção leva o ouvinte a achar que está de frente para um verdadeiro coral, ao lado de uma grande banda. Não é nada disso. É apenas o Clube da Esquina!

Canções

Lado A

  1. Tudo o que você podia ser (Lô Borges/ Márcio Borges)
  2. Cais (Milton Nascimento/Ronaldo Bastos)
  3. O Trem Azul (Lô Borges/Ronaldo Bastos)

    Na capa, um branco e um negro sentados juntos

  4. Saídas e bandeiras Nº 1 (Milton Nascimento/Fernando Brant)
  5. Nuvem Cigana (Lô Borges/ Ronaldo Bastos)
  6. Cravo e Canela (Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos)
  7. Dos Cruces (Carmelo Larrea Carricarte)
  8. Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (Lô Borges/ Márcio Borges)
  9. San Vicente (Fernando Brant/ Milton Nascimento)
  10. Estrela (Lô Borges/ Márcio Borges)
  11. Clube da Esquina Nº 2 (Milton Nascimento/ Lô Borges/ Márcio Borges)

Lado B

  1. Paisagem na Janela (Lô Borges/ Fernando Brant)
  2. Me deixa em paz (Ayrton Amorim/ Monsueto)
  3. Os Povos (Milton Nascimento/ Márcio Borges)
  4. Saídas e bandeiras Nº 2 (Milton Nascimento/ Fernando Brant)
  5. Um Gosto de Sal (Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos)
  6. Pelo Amor de Deus (Milton Nascimento/ Fernando Brant)
  7. Lília (Milton nascimento)
  8. Trem de Doido (Lô Borges/ Márcio Borges)
  9. Nada Será Como Antes (Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos)
  10. Ao Que Vai Nascer (Milton Nascimento/ Fernando Brant)

Dicas de leitura -

“Os sonhos não envelhecem – histórias do Clube da Esquina” – Márcio Borges. Geração Editorial

“Travessia – a vida de Milton Nascimento” – Maria Dolores. Editora Record

Texto de Carlos Lemes Jr sobre “Clube da Esquina”. http://ideiafix.wordpress.com/2008/05/16/o-clube-da-esquina/

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