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O pequeno burguês – Martinho da Vila

Intérprete – Martinho da Vila

 Compositor – Martinho da Vila

 Ano de divulgação – 1969

 Álbum – Martinho da Vila (1969)

 Letra e música – http://letras.mus.br/martinho-da-vila/127065/

“Mas burgueses são vocês, eu não passo de um pobre coitado”

Para muitos, “O pequeno burguês” é a maior obra-prima de Martinho da Vila, mas tratando-se da genialidade do compositor em questão, é difícil também não citar “Disritmia”, “Casa de bamba”, “Sonho de um sonho” e tantas outras verdadeiras artes que passaram pelo crivo e criação de um dos maiores gênios do samba.

martinhodavila1969

O primeiro LP de Martinho da Vila já trazia grandes canções

Ainda que lançada em seu primeiro disco (Martinho da Vila – 1969), “O pequeno burguês” não foi o primeiro sucesso do até então apenas promissor sambista e compositor. Dois anos antes, ele concorreu pela primeira vez no III Festival da Record com a canção “Menina Moça”. Um ano depois, estourou nas rádios com a dançante “Casa de bamba”, cantada pelo amigo Jair Rodrigues no Festival do ano seguinte.

O que torna “O pequeno burguês” tão especial, entretanto, não é sucesso posterior a gravação, mas a história cantada em uma letra simples e que retrata a vida de muitos brasileiros ainda hoje.

Antes de se tornar um sambista de sucesso, Martinho da Vila serviu o Exército como sargento burocrata. Na época, todos os homens que iniciavam a vida de adulto e não tinham condições de sustentar uma família, acabavam servindo a nação, ainda que o salário recebido não fosse dos melhores. O “pequeno burguês” personagem da canção não é Martinho, mas um de seus companheiros de Infantaria, o Sargento Xavier.

Na época, um fardado que conseguisse conciliar o trabalho duro do Exército com uma graduação era raro, mas Sargento Xavier conseguiu o feito e se formou em Direito. Os companheiros de Infantaria, orgulhosos do companheiro, combinaram de irem todos juntos fardados na formatura de Xavier, afinal, a maioria não tinha dinheiro para comprar um terno. No dia da formatura, entretanto, ninguém foi convidado.

Um dia após o baile, todos os companheiros decidiram dar um “gelo” no Sargento Xavier, que ficou conhecido como o “pequeno burguês”, por não convidar os amigos pobres para sua formatura. Sem entender o que tinha acontecido, um dia Xavier se encontrou com Martinho e perguntou o motivo de todos o excluírem das conversas confraternizações. Sem chances de fugir, Martinho o contou que todos estavam ofendidos por nãoserem chamados para o baile de formatura.

Ao saber da história, Xavier, bastante surpreso, explicou que ele não tinha convidado a todos por um simples motivo: ele também não tinha ido, afinal, a faculdade era particular e ele não tinha como bancar o aluguel de um terno, preço de Buffet e tantas outras coisas. Ele ainda informou que o “canudo” com o diploma só foi retirado dias depois, na secretaria da Faculdade.

Gênio, Martinho emprestou a história do amigo e compôs “O pequeno burguês”. O causo de um Sargento que consegue se formar, mas não vai à formatura.

 

Eu quero é botar meu bloco na rua – Sérgio Sampaio

Intérprete – Sérgio Sampaio

Compositor – Sérgio Sampaio

Ano de divulgação – 1972

Álbum – Eu quero é botar meu bloco na rua

letra e música – http://letras.mus.br/sergio-sampaio/236958/

“Eu quero é todo mundo nesse carnaval…”

Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, em 1947, Sérgio Sampaio só ganhou o sucesso que merceia em 1972, quando se inscreveu no IV Festival Internacional da Canção com a música Eu quero é botar meu bloco na rua. Com uma letra cheia de metáforas, a canção entrou para a história como uma das maiores canções brasileiras de todos os tempos.

Primeiro disco de Sérgio Sampaio

Primeiro disco de Sérgio Sampaio

Em época de ditadura militar, os compositores usavam das canções para passarem as suas mensagens para a sociedade de que não concordavam com a brutalidade e a forma como o país era governado. Com uma censura forte, que analisava cada canção gravada, os grandes letristas eram obrigados a utilizar metáforas, para expressar o sentimento da canção e ao mesmo tempo escapar da censura.

Quando Sérgio Sampaio ecoava em alto e bom som que queria “botar o bloco na rua”, ele na verdade estava querendo se impor. Na época, o exército levava tropas para as ruas, como meio de demonstrar a força para os cidadãos. Sérgio também queria colocar a sua tropa (bloco), com uma grande diferença de objetivos. O bloco de Sérgio Sampaio queria “um quilo mais daquilo” e “um grilo menos disso” e chama todo mundo para esse carnaval.

O Durango Kid, que aparece na letra da canção, é uma metáfora para militares, no caso, o inimigo que impedia o bloco de ser “botado” na rua.

A primeira parte da letra remete ao sentimento que os militares tinham por qualquer cidadão. Que todos sentiam medo quando tinham as disputas nas ruas e que todos iriam se calar diante da brutalidade. A segunda parte é o hino de Sérgio Sampaio, a real vontade do brasileiro da época, que era ir para a rua e dizer tudo o que estava engasgado na garganta.

Brasil Pandeiro – Novos Baianos

Intérprete – Novos Baianos

Compositor – Assis Valente

Ano de Divulgação – 1972

Álbum- Acabou Chorare

letra e música – http://letras.mus.br/os-novos-baianos/122199/

“Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros, que nós queremos sambar

Composta por Assis Valente em 1940, a ideia era ceder Brasil Pandeiropara que Carmem Miranda gravasse, exatamente por seu uma música que exalta o Brasil e os ritmos típicos brasileiros, tão presentes nas interpretações de Miranda. Entretanto, para a decepção de Valente, a cantora se recusou a gravar e coube ao grupo Anjos do Inferno gravar a canção que se tornaria grande sucesso naquele mesmo ano.

Acabou Chorare, apontado por muitos como o maior disco brasileiro de todos os tempos

Assis Valente faleceu em 1958 e infelizmente não ouviu a melhor gravação de sua canção. Em 1972, o grupo Novos Baianos gravou Brasil Pandeiro, naquele que foi um dos maiores discos brasileiros de todos os tempos. A composição de Assis Valente abria o fantástico Acabou Chorare, que com exceção de Brasil Pandeiro, só trazia composições dos membros do grupo. Executada ao estilo Novos Baianos (cada intérprete do grupo cantava um verso da letra), a canção virou um samba-exaltação de primeira linha e ajudou a mostrar o talento de um grupo se tornaria um dos melhores do Brasil.

Brasil Pandeiro é, ao lado de Aquarela do Brasil (Ary Barroso), um hino que ressalta o que é a cultura musical do país. A letra retrata grandes lugares da Bahia, como Penha e Morro do Vintém e faz uma alusão direta ao EUA ao citar o Tio Sam. É como se os brasileiros estivessem gritando ao mundo inteiro: “Aqui se toca samba, com pandeiro e é muito bom!!

O refrão é em forma de oração: “Escutai vossos pandeiros, iluminai os terreiros, que nós queremos sambar”, concluindo toda a exaltação do samba.

Chiclete com banana – Jackson do Pandeiro

Intérprete – Jackson do Pandeiro

Compositores –  Almira Castilho e Gordurinha

Ano de divulgação – 1959

Álbum – Jackson do Pandeiro (1959)

letra e música – http://letras.mus.br/jackson-do-pandeiro/257604/

” Eu só boto bebop no meu samba quando o Tio Sam tocar um tamborim”

Maior sucesso do disco que tornou a voz e o  talento de Jackson do Pandeiro conhecido, Chiclete com Banana tornou -se um dos forrós mais apreciados no Brasil.

Disco que tornou Jackson do Pandeiro nacionalmente conhecido.

A letra fala sobre a importância do samba e do problema de “internacionalizar” a música brasileira. Não podemos esquecer que o ritmo brasileiro que estourou em todo o mundo, a bossa-nova, estava começando em 1959. O samba tomava novos formatos e muitas letras eram traduzidas para o inglês. Chiclete com banana (chiclete – símbolo americano e banana – símbolo brasileiro) vêm então demonstrar como será a mistura do samba com a música norte-americana, principalmente o rock. O interlocutor diz que só aceita a introdução da música internacional no samba no dia que o Tio Sam ( símbolo norte-americano) conseguir tocar um tamborim. A tentativa é, portanto, manter o samba puro.

Nesta canção, pela primeira vez aparece o termo samba-rock, fazendo alusão exatamente a mistura dos dois ritmos. Este tipo de mistura é hoje feito por grandes compositores e intérpretes brasileiros como Gilberto Gil, Seu Jorge e Jorge Ben Jor.

Panis Et Circensis – Os Mutantes

Intérprete – Os Mutantes

Compositores – Caetano Veloso e Gilberto Gil

Ano de divulgação – 1968

Álbum – Tropicália ou Panis Et Circensis

letra e música – http://letras.terra.com.br/mutantes/47544/

“Mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer”

A política do pão e circo (Panis et Circensis) foi criada pelos antigos romanos, que estavam preocupados com a falta de alimento e principalmente de diversão do povo. Segundo os antigos romanos, sem estas duas coisas, era impossível se ver em sociedade e a insatisfação do povo perante os governantes só aumentaria.

Conta a história que sangrentas lutas entre gladiadores foram criadas para divertir o povo, que também recebia pão gratuito durante as lutas.

A canção Panis Et Circensis, composta por Gil e Caetano se tornou o grande hino do movimento Tropicália, que estourou no Brasil no final da década de 1960 e conseguiu universalizar a linguagem da música popular brasileira com a introdução da guitarra elétrica, do rock psicodélico e das correntes jovens do mundo na época. Foi a união do pop, com o psicodelismo e a estética que deram à música brasileira uma essência que influenciou toda a cultura nacional.

O grande álbum do movimento Tropicália

Panis Et Circensis, interpretada pelos músicos psicodélicos dos Mutantes traz a mensagem do que o movimento pretendida. Com uma letra que diz que as pessoas estão muito acomodadas e não lembram mais que a vida não é apenas nascer e morrer, deram um choque em toda a sociedade. Além disso, o teclado e a guitarra elétrica contribuíram para mostrar que a música brasileira precisava sair um pouco do patamar banquinho-violão, gerando grande euforia e alegrias nos jovens.

A canção é a principal do álbum Tropicália, que além de Os Mutantes, conta com composições e interpretações de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogério Duprat, Gal Costa, Torquato Neto, Tom Zé, entre outros.

Diário de um detento – Racionais MC’s

Intérprete – Racionais MC’s

Compositores – Jocenir e Mano Brown

Ano de divulgação – 1997

Álbum – Sobrevivendo no Inferno

letra e música – http://letras.terra.com.br/racionais-mcs/63369/

“Você não sabe como é caminhar com cabeça na mira de uma HK”

No século XXI, quando filmes como Carandiru, Tropa de Elite e Cidade De Deus já forma sucessos de bilheteria e popularidade fica fácil saber um pouco de como é a vida dentro da favela e dentro de um presídio. Hoje, todo mundo já sabe um pouco sobre bandidagem, tráfico de drogas e violência policial. Entretanto, assuntos como esses eram tratados apenas em jornais policiais até pouco tempo atrás. Os Racionais MC’s traziam, para os moradores destes ambientes e para os que queriam conhecer um pouco do que realmente acontecia as verdades que só seriam mostradas para o grande público alguns anos depois. o disco Sobrevivendo no Inferno foi sucesso de crítica e venda, mesmo tendo sido produzido de forma independente das gravadoras.

Sobrevivendo no Inferno, Racionais MC’s

A grande canção do disco, que é recheados de raps de primeira qualidade, é Diário de um detento que narra os momentos que precederam o massacre do Carandiru (então a maior casa de detenção do Brasil) em 1992. No massacre, os números oficiais trazem que 111 presos foram mortos pela ação policial. Entretanto, o número de mortes estipuladas é bastante superior ao número divulgado. Nenhum policial morreu.

A canção mostra, por meio de um relato em forma de diário como é difícil ser preso. Estar no meio de tantas pessoas perigosas e não sentir segurança nenhuma por parte da polícia.  na casa de detenção é cada um por si. Em um território onde reinam armas, drogas e facções, cada preso é responsável ela manutenção de sua própria vida e nunca sabe como será o dia de amanhã. Pode ser um dia normal, de trabalho, banho de sol; assim como também pode ser um dia de rebeliões e massacres, como o ocorrido em 1992.

Um fato marcante na canção de Brown e Jocenir é o apelo feito pelo detento para a família e para as pessoas próximas que estão fora da prisão. A mãe é sempre valorizada, o repúdio às drogas é claro e as orações para que a sentença do juiz lhe traga a liberdade é o desejo maior. A crítica ao policial que passa fome e é obrigado a se sujeitar aos presos também aparece na letra.

Um hino contra as injustiças e o sistema penitenciário falho brasileiro. A visão do que foi o massacre visto pelo olhar do detento, na época o grande culpado pela mídia, hoje, um pouco mais defendido. Muito dessa defesa vem da música do Racionais MC’s, que se consolidaram como um grupo de rap que luta contra a injustiça  e as diferenças sociais e raciais.

Dicas para saber mais sobre o massacre:

- du Rap, André. coordenação editoral de Zeni, Bruno.Sobrevivente André du Rap (do Massacre do Carandiru).  Labortexto Editorial. S. Paulo. 2002.

- Varella, Drauzio.Estação Carandiru. Cia das Letras. S. Paulo. 1999.

- Filme: Carandiru. (baseado na obra de Drauzio Varella). direção: Héctor Babenco. Globo Filmes. 2003.

A Flor e o Espinho – Nelson Cavaquinho

Intérprete – Nelson Cavaquinho

Compositores – Alcides Caminha, Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho

Ano de divulgação – 1973

Álbum – Nelson Cavaquinho (1973)

letra e música – http://letras.terra.com.br/nelson-cavaquinho/307086/

“Hoje pra você eu sou espinho. Espinho não machuca a flor.”

Com letra de Guilherme de Brito e Alcides Caminha e melodia de Nelson Cavaquinho, A flor e o espinho virou um verdadeiro hino do cancioneiro brasileiro. Composta em 1955, a canção só foi gravada pela primeira vez pelo sambista Raul Moreno em 1957, mas só obteve grande sucesso em 1964, quando Elizeth Cardoso, grande musa da época, gravou a música. Nelson cavaquinho só gravou a canção em 1973, no seu disco homônimo que trazia regravações de suas maiores composições, com destaques para as parcerias com seu grande amigo Guilherme de Brito.

Álbum que traz os grandes sucessos de Nelson Cavaquinho

A letra da canção traz metáforas e muita tristeza, elementos típicos do samba da década de 50. Logo os primeiros versos “Tire esse sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor. Hoje pra você eu sou espinho. Espinho não machuca a flor”, já identificam  a canção como um samba bem escrito e com uma mensagem a ser deixada.

Ouvida até hoje, A flor e o espinho está entre os 100 maiores sambas de todos os tempos e talvez seja a melhor obra da brilhante parceria de Nelson Cavaquinho com Guilherme de Brito.

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